A 777 não quer o Vasco. Quer destruir a venda.
A 777 Partners, falida e sem poder de gestão desde 2024, está usando guerra jurídica para forçar participação na venda da SAF — notificando o comprador Lamacchia pessoalmente, conseguindo penhora das ações e, anteontem, derrubando Pedrinho do conselho via intervenção judicial. Não quer voltar a gerir o clube, só quer maximizar o valor na saída ou sabotar quem tenta fechar negócio. Com o Vasco na zona de rebaixamento e o MoU com Lamacchia em risco, o caos jurídico é o único ativo que a 777 ainda tem — e ela está usando bem.

Anteontem, a Justiça do Rio de Janeiro acatou um pedido da 777 Carioca e afastou Pedrinho, Christiano Stockler Campos e Felipe Elias do conselho de administração da SAF. A advogada Samantha Longo foi nomeada interventora da empresa. O ex-jogador segue como presidente do clube associativo, mas perdeu qualquer poder real sobre o futebol. CNN Brasil
Isso não foi um acidente. Foi uma cartada.
A 777 Partners é uma empresa falida, sem crédito no mercado financeiro internacional, incapaz de honrar os compromissos que assumiu quando comprou 70% da SAF em 2022. Em maio de 2024, a Justiça concedeu uma liminar que retirou o controle da SAF das mãos da 777 e o devolveu ao clube associativo — justamente por isso. Desde então, a empresa norte-americana não tem mais nada para oferecer ao Vasco. Não tem dinheiro, não tem gestão, não tem projeto. Só tem advogados. CNN Brasil
E é exatamente com advogados que ela insiste em brigar.
Em junho, a 777 enviou uma notificação diretamente ao investidor Marcos Lamacchia, afirmando que, se ele prosseguir com a compra ciente do litígio, estará agindo com flagrante má-fé e será responsabilizado individualmente por todos os prejuízos. Antes disso, a Justiça já havia determinado a penhora das ações da 777 na SAF, bloqueando qualquer movimentação desses ativos sem autorização judicial prévia. Agora, com o afastamento de Pedrinho, a empresa conseguiu algo ainda mais grave: instalar uma interventora no comando da SAF e forçar sua própria participação em qualquer negociação futura. SuperVascoLance!
A juíza Caroline Fonseca determinou que qualquer venda da SAF precisará contar com a concordância da 777 Carioca LLC ou com autorização do Tribunal Arbitral, com posterior validação da Justiça do Rio. Poder360
Traduzindo: a 777 colocou o pé na porta. Não para entrar — para impedir que outra pessoa entre.
O argumento jurídico usado para derrubar Pedrinho até tem alguma sustentação formal. O conselho fiscal apontou patrimônio líquido negativo de R$ 647 milhões mesmo após o processo de recuperação judicial, ausência de diretor financeiro desde março de 2025 e R$ 100 milhões gastos em contratações no início de 2026. São problemas reais. Mas convenhamos: a 777 não se importa com governança. A empresa que destruiu projetos de futebol em múltiplos países não acordou preocupada com a ausência de um CFO em São Januário. O que ela quer é negociar sua saída com o máximo de poder de barganha possível — e para isso, precisa de caos. Bnews
Caos é o ativo que a 777 ainda tem.
Antes da decisão, havia expectativa de assinatura de um MoU com Marcos Lamacchia até a primeira quinzena de julho. Esse prazo agora virou névoa. Qualquer investidor sério que recebe uma notificação pessoal de responsabilidade, vê o presidente do clube ser removido por intervenção judicial e descobre que precisará negociar com uma empresa americana em colapso para fechar um negócio — esse investidor hesita. E hesitar, nessa situação, pode matar a operação. Poder360
O problema é que o Vasco não tem tempo para hesitações. O clube está na zona de rebaixamento no Brasileirão e em busca de um novo treinador. Sem a venda da SAF, não há reforços. Sem reforços, o risco esportivo é concreto. Terra
A 777 sabe disso. E usa isso.
O que está em jogo não é só a venda da SAF. É a credibilidade do Vasco como projeto. É a capacidade do clube de atrair investimento sério num mercado que já olha com desconfiança para qualquer ativo com esse nível de litígio societário. Cada decisão judicial arrancada pela 777 para atrapalhar o processo adiciona mais uma camada de insegurança jurídica — e insegurança jurídica afasta capital.
A 777 não vai voltar a gerir o Vasco. Esse capítulo acabou. Mas enquanto a arbitragem não tiver uma sentença definitiva, a empresa continuará usando cada brecha processual disponível para maximizar o valor que consegue arrancar na saída — ou simplesmente para sabotar quem tenta reconstruir o que ela ajudou a destruir.
O Vasco precisa resolver a arbitragem. Precisa fechar a venda. E precisa fazer isso rápido — antes que o próximo movimento da 777 seja ainda mais caro.