Logo VascoNow
VascoNow
Notícias do Gigante
Editorial
Editorial25 de julho de 2026• por Vascaíno

Bola, caixa e camisa: o que esperar do Vasco até o fim de 2026

Entre o prazo de 30 de setembro para a venda da SAF, a estreia da Sportingbet no uniforme e a corrida por reforços de Pedro Emanuel, a Colina entra no segundo semestre jogando três partidas ao mesmo tempo — dentro e fora de campo.

Bola, caixa e camisa: o que esperar do Vasco até o fim de 2026

Entre o prazo de 30 de setembro para a venda da SAF, a estreia da Sportingbet no uniforme e a corrida por reforços de Pedro Emanuel, a Colina entra no segundo semestre jogando três partidas ao mesmo tempo — dentro e fora de campo.

Neste sábado, horas antes de enfrentar o Mirassol em São Januário, o Vasco entrou em campo com uma camisa que não usava havia meses: o espaço mais nobre do uniforme, vazio desde o fim do contrato com a Betfair, finalmente ganhou dono. É uma imagem pequena para resumir um momento que não é. Nas últimas duas semanas, o clube também publicou o edital de venda da SAF e acelerou a negociação pelo reforço mais aguardado da janela. Não por acaso: os três movimentos falam a mesma língua — a de um Vasco tentando comprar tempo e fôlego financeiro antes que o ano termine.

A camisa que enfim ganhou dono

O Vasco oficializou a Sportingbet como nova patrocinadora máster na manhã deste sábado, em contrato válido até o fim de 2027 e com estreia já na partida contra o Mirassol. Informações que circularam nos bastidores na véspera do anúncio falavam em algo perto de R$ 40 milhões fixos, com aportes extras vinculados a metas esportivas e comerciais — número que o clube ainda não confirmou oficialmente.

Mais interessante que o valor é o desenho do acordo. A casa de apostas prometeu um programa de engajamento em que metas cumpridas pela torcida destravam investimentos adicionais, incluindo recursos para o CT, com alcance planejado para além do Rio — outros estados e a comunidade vascaína no exterior. Depois de meses tentando preencher a lacuna deixada pela Betfair, o Vasco resolve de uma vez o problema mais visível do uniforme. O outro, o de fundo, é mais complicado.

Setembro como prazo final para a SAF

Enquanto a camisa resolve uma questão de imagem e caixa imediato, a venda da SAF é a decisão que deve moldar o Vasco pelos próximos anos. No dia 15 de julho, a 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro publicou o edital de alienação judicial da SAF vascaína, formalizando a venda de 90% das ações dentro do plano de recuperação judicial do clube. O empresário Marcos Lamacchia, à frente da Almirante Participações e Empreendimentos, foi definido como investidor âncora — com preferência no processo competitivo que segue para leilão. Antes mesmo da publicação do edital, seu pai, José Roberto Lamacchia, fundador da Crefisa, chegou a dizer publicamente que o negócio estava "200% fechado" — uma confiança que contrasta com o tanto de rito formal que ainda resta.

Os números são os maiores já discutidos na história recente do clube: mínimo de R$ 650 milhões em investimentos ao longo de cinco anos, com o valor total da operação — somando aportes, dívida assumida e compromissos de caixa — passando de R$ 2 bilhões, podendo chegar a R$ 3,1 bilhões segundo documentos anexados ao processo. Do total, R$ 500 milhões têm destinação exclusiva ao futebol profissional, em cinco parcelas anuais entre 2026 e 2030, além de R$ 120 milhões para o CT ao longo de dez anos. O grupo também assume o compromisso de comprar os 31% de ações ainda ligados à A-CAP — resquício da crise da 777 Partners — e de arcar com uma dívida da SAF estimada em R$ 1,3 bilhão. Como trava adicional, o novo controlador fica proibido de distribuir lucros por dez anos: o que entrar, fica no futebol.

Falta, ainda, o rito interno: pareceres dos Conselhos Fiscal e de Beneméritos e votação qualificada no Conselho Deliberativo, com uma rota alternativa via Assembleia Geral caso o colegiado trave o processo três vezes seguidas. O próprio edital fixa 30 de setembro como prazo máximo para Lamacchia assumir o controle definitivo. Internamente, a expectativa é de cumprir o cronograma bem antes disso — inclusive na esperança de que o novo aporte já ajude a reforçar o elenco ainda nesta janela. Isso, porém, depende de etapas que fogem ao controle direto do clube.

Reforços sob orçamento apertado — por enquanto

É nesse contexto de caixa curto que o Vasco monta elenco para Pedro Emanuel, contratado em 10 de julho após a saída de Renato Gaúcho, demitido em comum acordo em junho com o time na zona de rebaixamento. O técnico português, de 51 anos e com passagem recente pelo Al Fayha, da Arábia Saudita, assume um Vasco que soma 20 pontos em 19 rodadas e ocupa a 17ª colocação do Brasileirão — a missão imediata é escapar do Z-4.

Sob comando do diretor executivo Admar Lopes, a janela aberta em 20 de julho segue priorizando empréstimos com opção de compra e atletas de custo inicial baixo, o mesmo modelo usado em contratações recentes como Robert Renan e Carlos Cuesta. O nome mais adiantado é o do volante colombiano Nelson Deossa, do Real Betis: os termos salariais já estariam acertados, faltando apenas exames médicos e assinatura, em operação que pode chegar a 12 milhões de euros (cerca de R$ 70 milhões) caso o Vasco exerça a compra por metas — o que faria dele o segundo reforço mais caro da história do clube, atrás apenas de Edmundo. O meia-atacante Yáser Asprilla, do Girona, também está no radar, e a diretoria já fala em reforçar até quatro posições antes do fim da janela.

Mesmo antes de assumir formalmente o clube, Lamacchia já prometeu empenho máximo para ajudar a viabilizar reforços nesta janela — sinal de que o mercado do Vasco, até dezembro, deve seguir amarrado ao ritmo da venda da SAF.

O que fica para o segundo semestre

Nenhuma das três frentes caminha sozinha. O dinheiro da Sportingbet melhora o caixa imediato; a venda da SAF, se sair no prazo, muda a escala de investimento possível a partir de 2027; e o mercado da bola, entre uma coisa e outra, segue refém de quanto o Vasco pode gastar agora. Até 31 de dezembro, a torcida deve acompanhar um clube tentando, ao mesmo tempo, escapar do rebaixamento em campo e resolver, fora dele, o problema que se arrasta desde o rompimento com a 777 Partners. As próximas semanas — com a chegada, ou não, de Deossa, e os desdobramentos do processo judicial da SAF — vão dizer se essas três frentes andam juntas ou se o Vasco, mais uma vez, vai ter que escolher entre elas.