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Futebol: Vasco ameaça deixar o Palmeiras só - 15/10/98 - Folha de S.Paulo


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FUTEBOL
Depois de desmoralizar a CBF, Eurico Miranda mantém promessa de não pôr time em campo nesta tarde

Vasco ameaça deixar o Palmeiras só

FERNANDO MELLO
da Reportagem Local

O Vasco da Gama não vai entrar em campo para enfrentar o Palmeiras, hoje à tarde, no Parque Antarctica, pelo Brasileiro-98, segundo disse o vice-presidente de futebol do clube, Eurico Miranda.
A decisão do dirigente, anunciada à noite, foi uma etapa da queda-de-braço que Miranda travou ontem com a Confederação Brasileira de Futebol -e saiu vitorioso.
A CBF acabou cedendo às pressões do Vasco. O clube alegava que seus atletas não teriam as 66 horas de intervalo entre o jogo de hoje, às 16h, e o de sábado, contra o Inter, em Porto Alegre, e exigia o adiamento do jogo com os gaúchos.
O Vasco está respaldado numa liminar concedida pela Justiça do Trabalho ao Sindicato de Atletas Profissionais do Rio de Janeiro, que disse que a lei exige 66 horas de intervalo entre os jogos.
Apesar de ter conseguido o adiamento da partida com o Inter -que levou, no início da tarde, à confirmação do jogo com o Palmeiras-, Miranda afirmou que não colocaria seu time em campo.
"A CBF demorou demais para atender nosso pedido. Agora não dá mais para chamar os atletas de volta para a concentração", disse.
O time carioca alega ainda que não pode entrar em campo por ter oito desfalques para o jogo de amanhã, entre jogadores contundidos e suspensos (Carlos Germano, Vágner, Vitor, Odvan, Mauro Galvão, Felipe, Nasa e Juninho).
Caso o Vasco não vá ao jogo, o resultado será 1 a 0 para o time paulista, segundo o regulamento.
Essa situação, ausência de um adversário, configura o WO (do inglês "walk over", que em tradução livre seria "dar uma volta").
Pelo CBDF (Código Brasileiro Disciplinar de Futebol), se o Vasco não entrar em campo estará infringindo os artigos 303 e 249, que implicam perda de todos os pontos acumulados até o momento, anulação de sua participação no campeonato e multa de R$ 2.400,00.
No dia 22 de setembro de 93, numa situação semelhante, o Vasco não foi a um jogo com o Palmeiras, e a CBF não só não puniu o clube carioca como marcou outro jogo.
No Palmeiras, ninguém sabia se o jogo aconteceria ou não.
"O que eu sei é que o Palmeiras estará em campo amanhã (hoje), como está no regulamento. O resto, não é da minha conta", disse o treinador Luiz Felipe Scolari. "Mas não creio que o Vasco não venha." Às 18h, no entanto, chegou à concentração uma informação de que o jogo estaria cancelado.
O meia Zinho afirmou não estar convicto da realização da partida.
"Eu só vou acreditar quando vir o time do Vasco em campo, no horário do jogo. Se tem dedo do Eurico Miranda, a gente sempre tem que estar com o pé atrás", disse.
O diretor de futebol do Palmeiras, Sebastião Lapola, disse que seu time entraria em campo e que não aceitaria a alteração de data. A partida já foi adiada uma vez.
Na oportunidade, o Vasco disputava as finais da Taça Libertadores, e o Palmeiras aceitou não jogar para não prejudicar os cariocas.
No Rio, os vascaínos também não sabiam se haveria jogo e esperavam ordens de Eurico Miranda. À noite, foram dispensados.


Colaborou Sérgio Rangel, da Sucursal do Rio

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