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Mauro Cezar Pereira - Roberto fez do Vasco da Gama um clube ainda maior. 'Dinamite neles' - UOL

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O campo encharcado inviabilizou a disputa de uma verdadeira partida de futebol. Jogo brigado, com a bola parando na água. Nos instantes finais, a torcida do Flamengo desceu até os primeiros degraus da arquibancada do Maracanã para festejar, na chuva, o título carioca de 1981.

Até que numa jogada confusa (vídeo abaixo) a pelota se ofereceu para o pé direito de Roberto Dinamite. Gol do Vasco! Ele precisou apenas de uma chance, uma só, para decidir o clássico e adiar a decisão de quarta-feira para domingo. Loucura no lado direito do templo do futebol.

Eu tinha 18 anos. Na descida da rampa superior, jamais me esqueci do velho português que, com um enorme rádio sobre o ombro, gritava: "Quem tem Rubertu tem tudo! Quem tem Rubertu tem tudo!" Não era exagero. Dinamite era mesmo espetacular. E para o vascaíno, era tudo.

Naquela decisão o camisa 10 já havia feito os gols da vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo no domingo anterior (vídeo abaixo). Por vencer dois turnos e ter a melhor campanha, os rubro-negros jogavam com enorme vantagem. O Vasco tinha que vencer três vezes para levantar a taça.

Venceu duas. E venceu porque tinha Roberto. Era um Vasco tecnicamente inferior ao rival, que naquela temporada colocava no gramado nada menos do que o time campeão da Libertadores e do mundo. Mas graças ao artilheiro os duelos eram brigados, disputados.

Curiosamente no ano anterior ele quase foi jogar no Flamengo. Vendido ao Barcelona, não se adaptou e os rubro-negros tentaram contratá-lo. O negócio estava encaminhado, mas Eurico Miranda, então diretor de futebol do Vasco, conseguiu desfazer a venda.

Dinamite voltou nos braços da torcida que reencontrou no Maracanã marcando todos os gols de sua equipe nos 5 a 2 (vídeo acima) sobre o Corinthians. Um domingo diferente que teve Flamengo 3 x 0 Bangu abrindo a rodada dupla e a torcida vascaína festejando em cima da então recém-criada "Fla-Fiel".

Roberto virou Dinamite pela manchete do Jornal dos Sports do dia seguinte ao seu gol sobre o Internacional no Maracanã: "Garoto-Dinamite explodiu!", manchetou o jornalista vascaíno Aparício Pires. Genial! Tinha só 17 anos. Foi em 25 de novembro de 1971.

Ele explodiria centenas de vezes mais. Roberto é o maior artilheiro da história do Vasco da Gama. Foram 708 gols! Maior goleador do campeonato brasileiro (190 tentos) e do carioca (284) e quem mais balançou as redes de São Januário (184).

Exímio cobrador de faltas, finalizava com ambos os pés. Na Copa do Mundo de 1978 (no vídeo acima o tento da classificação contra a Áustria) seus gols foram importantíssimos para o Brasil. Esteve no Mundial de 1982, mas não foi aproveitado. Poderia ter ajudado, mas Telê Santana o manteve fora.

Naqueles bons tempos, voltávamos do Maracanã e revíamos o jogo pela TVE. E ninguém narrou os gols do maior artilheiro do Vasco, do Campeonato Brasileiro, do Campeonato Carioca, de São Januário como José Cunha. "Taí o Dinamite. Tá láááa! Di-na-mi-te".

Como se dizia na época: "Dinamite neles". Um ídolo como poucos. Um goleador nato que qualquer um gostaria de ver em seu time. Mas que, pelo bem do futebol, seguiu no clube onde nasceu para jogar. Roberto foi um gigante no Gigante, que fez o Vasco da Gama ainda maior.

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